A Mesa Redonda Transição Circular Justa reuniu, em 1º de outubro de 2026, em São Paulo, empresas do setor automotivo e autopeças em um debate técnico sobre o desperdício na cadeia. Realizada por Zeros, Polen e Cetrel, com apoio do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), a iniciativa abriu espaço para a troca de experiências entre gestores e lideranças do segmento.
Além de registrar os temas e as iniciativas apresentadas, este artigo destaca por que encontros desse tipo fortalecem a economia circular no setor automotivo.
Formato e realização da Mesa Redonda Transição Circular Justa
O encontro aconteceu das 9h30 às 12h, no Jaguaré. O foco recaiu sobre o desperdício zero no setor automotivo e autopeças, integrando economia circular, consumo consciente, lixo zero e logística reversa. Para isso, o formato combinou benchmarking técnico e colaboração estratégica entre gestores ambientais e de resíduos, lideranças das áreas ambiental e ESG e demais stakeholders.
Na realização, a Zeros atuou como idealizadora e conecta empresas a metodologias e projetos, com engajamento, capacitação e aplicação de normas técnicas. A Polen contribuiu com sua atuação em solução e valoração de resíduos, enquanto a Cetrel acrescentou a experiência de uma plataforma nacional de soluções ambientais e de emergências para a indústria. Por sua vez, o IQA, entidade técnica sem fins lucrativos criada em 1995, apoiou a iniciativa a partir de sua atuação em qualidade, competitividade e sustentabilidade da mobilidade brasileira.
Quatro temas centrais da economia circular no setor automotivo e autopeças
Eletrificação e baterias de veículos elétricos
Para a economia circular no setor automotivo, a eletrificação foi o tema de maior destaque. Em primeiro lugar, as empresas discutiram a infraestrutura necessária para armazenamento, manutenção, reaproveitamento e destinação de baterias de veículos elétricos, bem como o desenvolvimento de mão de obra e de estruturas especializadas. Em paralelo, o debate abordou a evolução regulatória, com projetos de lei sobre ciclo de vida, circularidade, logística reversa e destinação. Nesse cenário, a MWM apresentou um protótipo para baterias elétricas, desenvolvido em parceria com o IPT, o que evidencia o papel da pesquisa e do desenvolvimento nesse fluxo.
Metas de redução de resíduos e indicadores de circularidade
A redução da geração de resíduos é uma agenda comum entre as empresas participantes, com metas anuais de redução percentual. Além disso, a Hyundai destacou que acompanha indicadores e metas de circularidade, o que amplia a análise para o aproveitamento dos materiais e para sua reinserção em novos ciclos produtivos.
Gestão de resíduos de madeira
Os resíduos de madeira foram apontados como desafio relevante por diferentes participantes. Isso ocorre porque o material combina grandes volumes, baixa densidade e custos associados ao transporte e à destinação. Por conseguinte, a discussão priorizou tanto novas destinações quanto melhorias logísticas e operacionais, como a solução apresentada pela Cetrel e detalhada nos cases a seguir.
Cultura ambiental nas concessionárias
A Mercedes-Benz abordou a dificuldade de disseminar práticas ambientais em uma rede de concessionárias geograficamente pulverizada e com realidades distintas. Para acompanhar e estimular a evolução das unidades, a empresa utiliza o StarClass, processo de avaliação e ranking entre concessionárias.
Por que eventos como esta mesa redonda importam para o setor
Além dos temas e das iniciativas, o encontro evidenciou o valor de espaços técnicos de colaboração entre empresas da cadeia.
Troca de experiências que multiplica soluções
Desafios semelhantes surgem em operações distintas, como mostrou a gestão de resíduos de madeira. Por isso, a solução desenvolvida por uma organização serve de referência para outras, o que amplia o alcance de cada iniciativa.
Antecipação de temas regulatórios e tecnológicos
A eletrificação tende a figurar entre as transformações mais relevantes dos próximos anos e já gera novas demandas e fóruns específicos, com atuação de entidades como a ANFAVEA, tradicionalmente ligada à indústria automotiva, e a ABVE, voltada à mobilidade elétrica. Nesse contexto, encontros técnicos permitem alinhar entendimentos entre as empresas enquanto a regulamentação evolui, com desafios que se estendem à reutilização e à reciclagem das baterias.
Da destinação à circularidade
De modo geral, o setor avança de uma abordagem tradicional de gestão e destinação de resíduos para uma visão que integra redução na fonte, eficiência logística e reinserção de materiais na cadeia produtiva. Nesse sentido, espaços de diálogo contribuem para que essa transição ocorra de forma coordenada.
Um novo cenário para o setor automotivo e autopeças
A Mesa Redonda Transição Circular Justa marca um novo momento para o setor automotivo e autopeças, com a circularidade ganhando espaço na agenda das empresas. Agradecemos às empresas participantes pela abertura em compartilhar desafios, visões e resultados. Parabenizamos todos os envolvidos e seguimos juntos rumo a uma transição circular justa.