O papel dos catadores na economia circular foi um dos temas centrais do Fórum Nacional Lixo Zero, um dos eventos mais relevantes do país para quem acompanha a agenda de sustentabilidade, ESG e gestão de resíduos no Brasil. Entre os destaques do encontro, a participação de Roberto Rocha, presidente da ANCAT (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), reforçou um ponto que a Zeros defende em todas as suas iniciativas: não existe futuro lixo zero sem valorizar quem está na linha de frente da reciclagem.
Por que o papel dos catadores na economia circular é estratégico
Os catadores são, historicamente, a base operacional da reciclagem no Brasil. Antes de qualquer política pública de logística reversa existir no papel, são eles que já realizavam a triagem e o encaminhamento de materiais recicláveis para a cadeia produtiva. Por isso, falar em economia circular sem reconhecer esse trabalho é ignorar a origem do próprio sistema.
Durante sua fala no Fórum Nacional Lixo Zero, Roberto Rocha destacou que o avanço da economia circular, da logística reversa e da gestão sustentável de resíduos no país depende diretamente do fortalecimento das cooperativas de catadores. Além disso, ele reforçou que esse fortalecimento passa por reconhecimento formal, remuneração justa e inclusão dos catadores nos planos municipais de gestão de resíduos.
Catadores, logística reversa e cooperativas: uma cadeia interdependente
A logística reversa, sistema pelo qual embalagens e produtos retornam à cadeia produtiva após o uso, só funciona, na prática, com a atuação das cooperativas de catadores. Portanto, empresas que buscam cumprir metas de ESG e de responsabilidade estendida do produtor precisam necessariamente estruturar parcerias com essas cooperativas.
Essa interdependência gera benefícios em várias frentes:
- Ambiental: redução do volume de resíduos em aterros e lixões.
- Social: geração de renda e formalização de trabalhadores historicamente marginalizados.
- Econômico: menor custo de matéria-prima reciclada para as indústrias.
Dessa forma, investir no trabalho dos catadores não é apenas uma pauta social, mas também uma decisão estratégica de negócio para empresas comprometidas com metas de sustentabilidade.
O papel das empresas e do poder público na valorização dos catadores
Segundo debatido no Fórum Nacional Lixo Zero, o avanço rumo a um Brasil lixo zero exige a conexão entre três frentes: empresas, cooperativas e sociedade. Iniciativas como o Sistema de Gestão Lixo Zero da Global Zero Waste, que a Zeros promove no Brasil, buscam justamente construir essa ponte, conectando organizações que precisam gerenciar resíduos de forma sustentável às cooperativas que já dominam esse processo na prática.
Além disso, políticas públicas municipais e estaduais têm papel decisivo. Cidades que incluem catadores formalmente em seus planos de gestão de resíduos sólidos tendem a apresentar índices de reciclagem significativamente mais altos do que aquelas que não o fazem, um dado corroborado por diversos estudos sobre economia circular no Brasil, como os publicados pelo Ministério do Meio Ambiente.
Reconhecer catadores é acelerar o Brasil lixo zero
O papel dos catadores na economia circular deixou de ser um tema apenas social e passou a ocupar espaço central nas discussões sobre ESG, sustentabilidade e logística reversa no Brasil. A fala de Roberto Rocha no Fórum Nacional Lixo Zero reforça essa urgência: sem valorizar e fortalecer os catadores, não há economia circular real, apenas discurso.
A Zeros segue promovendo iniciativas, parcerias e soluções que conectam empresas, cooperativas e sociedade para acelerar essa transição. Para acompanhar mais conteúdos sobre Sistema de Gestão Lixo Zero, economia circular e ESG, inscreva-se no canal e continue essa conversa com a gente.