Cada vez mais empresas de grande porte deixam de se perguntar se vale a pena estruturar a gestão de resíduos e passam a buscar a melhor forma de fazer isso com credibilidade. Nomes como Petronas, Hyundai, Camil, Mapfre, Blau Farmacêutica, Special Dog, The Fini Company e Biotrop já aparecem entre as organizações certificadas no Brasil. Portanto, vale entender o que está por trás dessa movimentação e o que ela revela sobre o mercado.
A pressão do mercado mudou a pergunta
Metas de aterro zero e de desperdício zero saíram dos relatórios de sustentabilidade e entraram nos contratos, nas homologações de fornecedores e nas cobranças das matrizes. Hoje, o corporativo global define metas internacionais e espera que cada unidade, inclusive a brasileira, comprove o resultado com o mesmo rigor. Da mesma forma, questionários de clientes pedem evidências, e relatos ESG como o GRI exigem dados rastreáveis.
O cenário global ajuda a explicar tamanha exigência. Segundo o Circularity Gap Report 2025, citado pela Global Zero Waste, apenas 6,9% dos cerca de 100 bilhões de toneladas de materiais consumidos por ano no mundo voltam a circular. Por isso, a conversa deixou de girar em torno de quem recicla e passou a girar em torno de quem consegue demonstrar o que faz.
Boas práticas sem prova viram risco
Muitas empresas já separam resíduos e reduziram descartes. No entanto, o problema surge quando o auditor ou o cliente pergunta onde está a evidência. Indicadores sem linha de base, destinação sem rastreabilidade completa e resultados comunicados apenas por autodeclaração aumentam o risco de greenwashing, que prejudica a reputação e também os negócios. Como solução, a Global Zero Waste propõe um sistema de gestão que mede, registra e revisa os números de forma contínua.
Credibilidade que vem de fora
A Global Zero Waste é uma organização não governamental fundada em 2012, que criou o Sistema de Gestão Lixo Zero em 2013. Desde então, mais de 400 instalações percorreram o roteiro no mundo, e mais de 300 organizações constam no registro público, entre certificadas e em processo. Além disso, a certificação é concedida com organismos de avaliação da conformidade autorizados, que realizam uma auditoria externa e independente, entre eles Atzert-ICQ Brasil, ONC, SGS, IQA e Bureau Veritas.
A Norma SGLZ também facilita a vida de quem já possui outros sistemas. Ela segue a estrutura de alto nível da ISO, integra-se à ISO 14001, dialoga com a ISO 59000 e adota o ciclo PHVA de melhoria contínua.
Uma meta mais alcançável do que parece
Muitos gestores acreditam que é preciso reciclar tudo ou nunca enviar nada para aterro. Na prática, o requisito habilitante é um Indicador Real de Reciclagem de pelo menos 50%. A partir daí, a empresa recebe até 100 pontos distribuídos em sete capítulos, e o planejamento responde pela maior fatia, com 35 pontos. A pontuação define a categoria, que pode ser Bronze (40 a 59 pontos), Prata (60 a 79) ou Ouro (80 a 100). Ao completar três anos seguidos de certificação, com o último em Ouro, a organização conquista o reconhecimento Platina.
Afiliação, a porta de entrada
A afiliação é obrigatória para quem deseja certificar-se, e o início do processo ocorre em até cinco dias após a inscrição. Com ela, a organização recebe acesso à norma e à metodologia, ferramentas de diagnóstico e autoavaliação, plataforma de formação para a equipe, suporte técnico permanente e participação em uma rede global de empresas Lixo Zero. Além disso, passa a constar no registro público como organização em processo.
Dessa forma, uma equipe pequena deixa de construir tudo do zero. A Zeros, representante oficial da Global Zero Waste no Brasil, oferece mais de 18 serviços especializados e acompanha a empresa em cada etapa. Em média, a implementação leva de dois a seis meses, e a auditoria de certificação ocorre em um período de seis a doze meses.
Mais do que prova, um ganho de resultado
Embora a credibilidade seja o principal atrativo, o sistema também gera retorno financeiro. Ele reduz custos de disposição, cria receita com a recuperação de materiais e estabelece um ciclo de melhoria que se sustenta ao longo dos anos. A Special Dog, por exemplo, foi a primeira empresa do setor de pet food a conquistar a categoria Ouro, atingiu 99,98% de desvio de aterro e registrou, nos últimos três anos, um superávit de R$ 500 mil a R$ 600 mil com a valorização de seus resíduos, conforme apresentado no Talk Zero Waste.
Como iniciar a afiliação à Global Zero Waste
O caminho começa por um diagnóstico. Com ele, a sua empresa descobre o ponto de partida, estima o Indicador Real de Reciclagem atual e visualiza a distância até a categoria que deseja alcançar. Assim, a decisão passa a se basear em dados, e não em suposições.