Para muitas empresas, os resíduos ainda representam apenas um custo. A Special Dog, líder no setor de pet food, mostra que esse cenário pode mudar. Nos últimos três anos, a valorização dos materiais cobriu todos os custos internos da operação e ainda gerou um superávit de R$ 500 mil a R$ 600 mil.
Esses resultados foram comprovados no Talk Zero Waste, programa realizado pela Zeros com entrevistas a clientes afiliados e certificados pelo sistema de gestão lixo zero da Global Zero Waste, o sistema de gestão lixo zero no Brasil. Nessa edição, Mateus Peçanha, da Zeros, conversou com Luiz, coordenador de meio ambiente da Special Dog.
Resíduos em receita no setor de pet food
A Special Dog foi a primeira empresa do setor a conquistar a certificação sistema de gestão lixo zero da Global Zero Waste na categoria Ouro, que reconhece a melhor pontuação em gestão de resíduos. Com isso, a empresa atingiu 99,98% de desvio de aterro. Como fabrica alimentos para cães e gatos, ela gera principalmente resíduos orgânicos, e essa característica impulsionou soluções sob medida para cada material.
Parceiros locais fortalecem a valorização de resíduos
Desde o início, a Special Dog priorizou o desenvolvimento de parceiros próximos. Como a fábrica fica no interior de São Paulo, distante dos grandes centros, a logística poderia ser um obstáculo. Por isso, a empresa apoiou fornecedores locais, tanto na parte técnica quanto na mão de obra.
Como consequência, empresas que começaram com cinco colaboradores hoje operam em três turnos, com 60 a 70 pessoas. Além disso, a proximidade viabiliza destinações que, de outra forma, seriam inviáveis financeiramente.
A virada de chave na estratégia
O grande marco veio no fim de 2020, durante o planejamento estratégico do ciclo 2021-2025. Até então, o plano da empresa priorizava a lucratividade e as metas de produção. Nesse momento, a diretoria passou a refletir sobre o legado que a Special Dog desejava deixar para a sociedade.
A partir daí, a sustentabilidade deixou de ocupar um lugar periférico e passou a liderar o plano estratégico. Assim, todas as áreas assumiram metas ambientais, e a responsabilidade deixou de se concentrar apenas no setor de meio ambiente.
Cultura e circularidade no dia a dia
Para engajar as equipes, a empresa apostou em exemplos concretos. A compostagem interna transforma os resíduos do refeitório em adubo, que abastece as hortas da própria fábrica e produz as hortaliças servidas aos colaboradores. Segundo Luiz, quando as pessoas percebem que podem repetir a prática em casa, elas incorporam a mudança com mais facilidade.
Da mesma forma, os indicadores foram distribuídos entre as áreas produtivas, e o chão de fábrica passou a buscar alternativas para reduzir perdas. Hoje, o gerente da fábrica enxerga o resíduo como perda e o relaciona ao custo por tonelada produzida. Dessa maneira, a circularidade também contribui para a eficiência do processo.
O resíduo que se paga
Ao apresentar o resultado financeiro à diretoria, a equipe de meio ambiente mudou a percepção sobre o tema. A gestão de resíduos deixou de ser vista como despesa e passou a ser reconhecida como fonte de reputação e de resultado. Segundo Luiz, a logística próxima e os parceiros locais foram decisivos para essa valorização.
Próximo passo, olhar para os 9Rs
Mesmo com um índice tão alto, a Special Dog não pretende parar. A certificação mudou o olhar da empresa para a hierarquia dos 9Rs, que valoriza ações mais nobres do que a destinação. Portanto, o foco agora está na redução, tratando o resíduo como perda de processo e ampliando a gestão de resíduos para a economia circular.
Como sua empresa pode transformar resíduos em receita
O caso da Special Dog mostra que bons resultados dependem de estratégia, cultura e parceiros comprometidos. Por isso, a Zeros apoia as empresas que desejam seguir esse caminho, do diagnóstico até a certificação SGLZ da Global Zero Waste.