Varanda de Nazaré conquista o Selo Reconhecimento Lixo Zero nível ouro

A Varanda de Nazaré mostrou que é possível celebrar a fé, a cultura e a identidade amazônica cuidando da Amazônia. Realizado pela Kaiapó Produções durante o Círio de Nazaré, o evento conquistou o Selo Reconhecimento Lixo Zero no nível ouro. O selo foi criado para negócios e eventos que buscam reduzir os resíduos enviados à disposição final, e a Varanda chegou a ele ao transformar uma coleta pontual de recicláveis em uma gestão integrada, com planejamento, rastreabilidade e participação de catadores.

Um evento de cultura e fé que assume o compromisso com a Amazônia

Para Fafá de Belém, idealizadora da Varanda, cuidar da Amazônia precisa estar nas escolhas do dia a dia, e não apenas no discurso:

"A Varanda de Nazaré nasceu do desejo de valorizar a cultura, a fé e a identidade amazônica. Com o passar dos anos, entendemos cada vez mais que essa valorização também precisa se refletir na forma como produzimos o evento. A sustentabilidade exige escolhas, planejamento e o envolvimento de todos. A parceria com a Composta Belém nos ajuda a transformar esse compromisso em práticas concretas, mostrando que é possível celebrar nossas tradições com responsabilidade e respeito à Amazônia."

Mari Belém, da Kaiapó Produções, responsável pela produção da Varanda, conta como esse compromisso foi se formando ao longo das edições:

"A Amazônia é feminina. Ela é força, vida, beleza e resistência. E cuidar dela precisa ser mais do que discurso: precisa estar nas nossas escolhas e nas nossas atitudes. A Varanda de Nazaré é um espaço de encontro, cultura, fé e celebração, mas também de responsabilidade com a nossa terra. Ver esse compromisso avançar e receber o Reconhecimento Evento Lixo Zero é saber que podemos celebrar as nossas tradições cuidando do lugar a que pertencemos. A Amazônia merece esse cuidado todos os dias."

É esse compromisso com padrões internacionais de sustentabilidade que o Selo Reconhecimento Lixo Zero busca evidenciar.

Da coleta de latas à gestão integrada

A jornada começou em 2024, com iniciativas pontuais de destinação de resíduos recicláveis. Naquele ano, o evento coletou apenas latas de água. A partir de 2025, com a ampliação do trabalho, a gestão de resíduos passou a fazer parte da estratégia do evento e a envolver planejamento, segregação, coleta, monitoramento e destinação adequada. A frente foi coordenada por Samantha Chaar, da Composta Belém, empresa de impacto socioambiental.

Além disso, a agenda se conecta à responsabilidade socioambiental, à economia circular, à valorização dos catadores e à redução dos impactos ambientais na Amazônia.

O que mudou na operação

Para sair do papel, a equipe instalou pontos de coleta para diferentes frações e orientou os times sobre a separação correta. Em seguida, organizou os fluxos de resíduos, pesou o material e garantiu a rastreabilidade até o encaminhamento para reciclagem, compostagem e reaproveitamento.

Essas práticas correspondem à primeira etapa do selo, que é aplicar a metodologia lixo zero com foco em redução, reutilização e reciclagem.

Resultados que mostram a evolução

Os números dimensionam o avanço. Em 2024, a coleta restrita a latas de água destinou 28,6 kg à reciclagem. Em 2025, o evento destinou 1.052 kg à reciclagem, à compostagem e ao reaproveitamento de materiais, com aplicação de upcycling e de blocos ecológicos, como tijolos e piso tátil. O evento atribui essa evolução à ampliação das frações atendidas e dos processos de monitoramento.

Catadores, compostagem e reaproveitamento na mesma solução

O grande diferencial está na integração entre a gestão operacional, a cooperativa de catadores, a compostagem e o reaproveitamento de materiais. Esse arranjo precisou considerar as particularidades logísticas de um evento realizado durante o Círio de Nazaré, que a organização descreve como a maior manifestação católica do Brasil e uma das maiores do mundo. Além disso, a compostagem e o reaproveitamento mantêm materiais fora da disposição final, que é justamente o foco do selo.

Como o case se conecta às etapas do Selo Reconhecimento Lixo Zero

O selo é emitido pela Zeros e segue os critérios técnicos da Global Zero Waste, organização que atua desde 2012 e cujo sistema de gestão já está presente em mais de 400 instalações. O caminho até ele tem três etapas, e a trajetória da Varanda dialoga com cada uma delas.

Etapa do selo

O que a Varanda realizou

Aplicação de boas práticas com foco em redução, reutilização e reciclagem

Pontos de coleta por fração, orientação das equipes, compostagem, upcycling e blocos ecológicos

Avaliação técnica especializada, com análise de documentos e evidências

Pesagem, organização dos fluxos, rastreabilidade e monitoramento dos resíduos

Emissão do selo e definição do nível

Nível ouro, que corresponde à faixa de 80 a 100 pontos, a mais alta do reconhecimento

Como o registro de pesos, fluxos e destinos gera evidências, ele sustenta a avaliação técnica. Para quem o recebe, o selo fortalece o valor da marca junto a clientes, parceiros e investidores e ajuda a engajar as equipes.

Planejamento, indicadores e responsabilidade compartilhada

O maior desafio foi integrar equipes, fornecedores e parceiros, garantindo a separação correta e a destinação adequada. Por isso, a experiência reforçou o valor do planejamento, da comunicação e do acompanhamento contínuo. A gestão de resíduos exige responsabilidade compartilhada, e a participação das equipes e dos parceiros é o que faz as práticas planejadas acontecerem de fato.

Para os organizadores, o reconhecimento valoriza um trabalho construído ao longo das edições e confirmou a importância de transformar o compromisso ambiental em processos, indicadores e resultados mensuráveis, além de estimular novos avanços. Samantha Chaar, que coordenou a gestão integrada de resíduos, resume o que está por trás dos números:

"Coordenar a gestão Lixo Zero da Varanda de Nazaré é transformar compromisso em ação. Por trás dos resultados, existe muito planejamento, articulação e trabalho coletivo. É fazer diferentes equipes e parceiros caminharem juntos para que cada resíduo tenha a destinação adequada e para que a sustentabilidade aconteça de verdade, na operação. Conquistar esse reconhecimento e seguir avançando a cada edição mostra que estamos no caminho certo: construindo uma gestão que gera resultados ambientais e também valoriza as pessoas que fazem tudo isso acontecer."

Esse resultado só foi possível graças à Kaiapó Produções, à Toró Produções, à Composta Belém, às equipes operacionais, aos fornecedores, aos estabelecimentos participantes, à cooperativa de catadores e aos demais parceiros envolvidos.

Próximos passos e recado para outros eventos

A equipe pretende dar continuidade à gestão integrada, aprimorar os indicadores, fortalecer a comunicação e a mobilização dos envolvidos e ampliar as iniciativas de economia circular e inclusão produtiva. Como o nível do selo é definido por pontuação, aprimorar indicadores e processos dialoga diretamente com a lógica do reconhecimento.

Para os demais eventos, o recado é começar pelo planejamento e envolver todos os participantes, pois a gestão lixo zero é um processo contínuo, construído com metas, parceria, monitoramento e compromisso com os resultados. A equipe da Varanda resume esse espírito em uma frase. Cada edição é uma oportunidade de avançar, e a sustentabilidade se faz na prática, com planejamento, responsabilidade compartilhada e resultados.

Como levar o Selo Reconhecimento Lixo Zero ao seu evento

A trajetória da Varanda demonstra que grandes eventos culturais podem avançar na gestão de resíduos e gerar benefícios ambientais e sociais, valorizando a cadeia da reciclagem e contribuindo para uma cultura de sustentabilidade. Quem organiza eventos e deseja seguir esse caminho pode falar com a Zeros.