A coleta seletiva inclusiva coloca os catadores no papel de prestadores de serviço contratados pelas empresas. Essa é a base do Selo Parceiro do Catador, criado pela ANCAT, Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis, por meio do Programa ANCAT CONECTA. O selo foi lançado em 9 de outubro de 2026, no Restaurante D’Ferraro, em Santo Amaro, em São Paulo. A execução operacional é feita pela Reutiliza Já, por meio de sua plataforma de blockchain, e a Zeros participa como parceira da iniciativa.
O que o selo reconhece
O selo reconhece empresas que contratam serviços de coleta seletiva realizados por catadores e suas organizações. Segundo a ANCAT, a lógica é de mercado inclusivo, em que as empresas deixam de apenas destinar resíduos a cooperativas e passam a contratar catadores e suas organizações como parte da solução de coleta seletiva.
Por isso, o selo não foi pensado apenas como uma marca para ser exibida. Para conquistar o reconhecimento, a empresa precisa demonstrar uma operação de coleta seletiva contratada que beneficie os catadores. Separação correta, armazenamento adequado, acesso para a coleta, qualidade do material e engajamento continuam essenciais. No entanto, esses elementos qualificam a operação e não substituem a condição central, que é a existência de um serviço contratado e efetivamente executado por catadores.
Os três pressupostos do selo
Antes da classificação em níveis, a ANCAT exige que três pressupostos estejam presentes e homologados. O primeiro é a existência de cooperativas beneficiadas pela contratação, que devem estar homologadas ou validadas no programa. O segundo é a rastreabilidade, já que a operação deve ser acompanhada por uma plataforma ou por um operador homologado. O terceiro é a auditoria do gerador de resíduos recicláveis, feita por um operador homologado para essa finalidade.
Com essa estrutura, é possível saber onde o material foi coletado, quanto foi recuperado, quais cooperativas foram beneficiadas, quem participou da operação e qual foi a destinação. A plataforma da Reutiliza Já, baseada em blockchain, sustenta a rastreabilidade da coleta seletiva, e a auditoria verifica o gerador e as evidências. A ANCAT faz a transversalidade e homologa o conjunto para fins de reconhecimento.
As nove etapas do processo
O caminho começa com a contratação ou a adesão ao serviço de coleta seletiva inclusiva, com definição da operação e dos responsáveis. Depois, vêm o diagnóstico e o planejamento da operação e a definição dos pontos, da frequência, dos responsáveis e das condições de coleta. A quarta etapa é o treinamento e o engajamento das equipes internas e dos pontos participantes.
Em seguida, a empresa identifica, contrata e mobiliza cooperativas de catadores homologadas ou validadas pela ANCAT para fins do selo. Então, registra as evidências, os pesos, os responsáveis e os destinos. A rastreabilidade das coletas e dos materiais fica a cargo de plataforma ou operador homologado, que consolida os indicadores. Por fim, o gerador é auditado, os três pressupostos convergem e a Ancat realiza a homologação transversal e emite o selo no nível correspondente. Os níveis incluem bronze, prata e ouro.



Quem faz o quê
A ANCAT é a titular e a responsável institucional pelo selo. Cabe a ela definir os critérios, homologar cooperativas, plataformas e operadores em seus respectivos escopos, integrar as evidências e conceder o reconhecimento. A execução operacional fica com a Reutiliza Já, que opera a plataforma de blockchain usada no registro das coletas. Segundo a ANCAT, execução, rastreabilidade e auditoria podem ser realizadas por agentes distintos homologados, o que preserva a clareza de papéis e a verificabilidade. A Zeros, que desenvolve e gerencia projetos de logística reversa, economia circular e lixo zero, acompanha a iniciativa como parceira.
Quem esteve no lançamento
Ainda no pré-lançamento, o selo contava com a participação do Banco do Brasil e da Shopee. No evento, a ANCAT reuniu representantes de empresas, instituições e parceiros, entre eles Novelis, Caixa, Cargill, Coca-Cola FEMSA e USP, além de catadores e de organizações da cadeia da reciclagem.
O presidente da ancat, Roberto Rocha, afirmou que:
"O Selo nasce para reconhecer quem entende que os catadores precisam estar no centro da reciclagem e ser valorizados pelo trabalho fundamental que realizam todos os dias"
Roberto Rocha - Presidente ANCAT
Por sua vez, Maísa Fernanda Corrêa, da Shopee, destacou a importância de as empresas assumirem a responsabilidade sobre a separação e a destinação adequada de seus resíduos e de escolherem parceiros capazes de unir eficiência, responsabilidade ambiental e impacto social. Já o Banco do Brasil, representado por Neidja Ribeiro de Araújo Silva, relembrou a parceria com a ANCAT, que por meio de cooperativas já atua em diversas agências do banco pelo país.
Coleta seletiva inclusiva abre novos caminhos
Para a ANCAT, ampliar a participação das empresas significa abrir novos caminhos para as cooperativas, fortalecer a reciclagem popular e transformar compromissos ambientais em oportunidades concretas de trabalho, renda e dignidade. Na apresentação do lançamento, Mateus Peçanha, da Zeros, também destacou a importância de ampliar o envolvimento das empresas com soluções que unem impacto ambiental e inclusão social. A coleta seletiva inclusiva é o ponto de partida para esse envolvimento, e o Selo Parceiro do Catador é o reconhecimento que acompanha essa escolha.